Maio: Tradições que Florescem na Memória

Maio é um mês carregado de simbolismo. Entre flores, aromas e dias mais luminosos, chegam também as tradições que fazem parte da nossa identidade cultural e da memória coletiva das comunidades.

No âmbito do projeto Leitura das Memórias, as sessões dinamizadas durante este mês junto dos utentes das IPSS do concelho de Arganil foram dedicadas a duas tradições profundamente enraizadas na cultura popular portuguesa: as Maias e a Quinta-feira da Espiga. Através da leitura, da partilha de histórias e da conversa, revisitámos costumes, crenças e vivências que despertaram recordações e promoveram momentos de convívio entre todos os participantes.

Começámos por recordar a tradição das Maias, celebrada na noite de 30 de abril para 1 de maio, quando se colocam giestas amarelas nas portas, janelas e varandas das casas. Segundo a crença popular, estas flores protegem o lar, afastando o mal, a fome e a doença. Ligada aos antigos rituais da primavera e da agricultura, esta tradição continua viva, sobretudo nas comunidades rurais, onde as giestas simbolizam proteção, renovação e esperança.

Outro dos temas explorados foi a Quinta-feira da Espiga, celebrada quarenta dias após a Páscoa, na Quinta-feira da Ascensão. Antigamente considerada um dos dias mais importantes do calendário popular, era assinalada pela colheita do tradicional ramo da espiga, que reúne diferentes plantas, cada uma com um significado especial: a espiga de trigo representa o pão e a fartura; os malmequeres simbolizam o ouro e a prata; as papoilas, o amor e a vida; a oliveira, a paz, a luz e o azeite; a videira, o vinho e a alegria; e o alecrim, a saúde e a força. Depois de colhido, o ramo era guardado em casa até ao ano seguinte como símbolo de proteção, abundância e prosperidade.

Ao longo destas sessões, os nossos seniores partilharam memórias de infância, recordaram a forma como estas tradições eram vividas nas suas aldeias e transmitiram saberes que continuam a fazer parte da identidade das nossas comunidades.

Partilhamos, para memória futura, alguns registos fotográficos destes encontros, marcados pela partilha, pela tradição e pela riqueza das memórias de quem as viveu.















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